sábado, março 25, 2006


História do Jazz I

Um número cada vez maior de historiadores de jazz acredita que Miles Davis de apropriou indevidamente de composições alheias. Veja-se, a título de exemplo, Donna Lee (Charlie Parker?), Nardis (Bill Evans? Ben Sidran?) , ou as inúmeras parcerias do 2º Quinteto (Davis/Shorter? Davis/Carter? Davis/Hancock?). A questão da real autoria de composições incontornáveis da história do jazz é de menor importância quando efectivamente comparada com o produto musical a que se refere; é uma questão que, doravante, passaremos a classificar como mera curiosidade.
Não obstante, uma destas meras curiosidades tem uma implicação directa com o povo português: trata-se da polémica questão sobre a verdadeira identidade do autor de Giant Steps, composição até hoje atribuída a John Coltrane. Segundo um cada vez maior número de estudiosos (vide supra), o verdadeiro autor desta obra de contornos harmónicos complexos e inovadores foi Tio Jacinto (na foto), flautista de gabarito e tamborileiro de Trás-os-Montes (ou Transmontânia), que em 1956 terá emigrado para Newark, onde terá actuado, e onde John Coltrane o terá ouvido, numa ocasião em que se deslocava a essa localidade para visitar um parente.
As pesquisas continuam. Os especialistas asseguram que, se esta tese se comprovar (e tudo aponta nesse sentido), as consequências serão da ordem do imensurável e do imprevisível, social e culturalmente falando, podendo inclusivamente dar-se uma total transformação do panorama musical nacional.
Vivemos tempos de profundas descobertas e imensas transformações; e estamos, as we speak, a reescrever a História.

sexta-feira, março 24, 2006


Portimão´87 (Para Miguel Irreal)

Miguel:
Eu também nunca esquecerei aquele verão que passámos juntos em Portimão, em 87. Esta foto que eu tirei com a máquina do pai do Kaló(lembras-te?) será talvez a imagem que ficará para sempre nas nossas memórias:O Rui, tu a fazer-lhe "cornos" para a fotografia (porque seria?), a tua prima Verinha, a pequena Ingrid (a sueca do aldeamento) com a máquina nova e a Vanessa, que andava sempre de kispo.. Inesquecível! E eu, que não estando na foto, sou o dedo atrás do gatilho, o olho da objectiva, o único puto que falta...
Para te mandar um grande abraço, que não sei nada de ti há anos!
Manda notícias,
Django.


Andaluzia III

O fim de uma coisa é o príncipio de outra. E se calhar, vale a pena. Sagres desola-me, mas o imenso mar tranquiliza-me. Nunca pensei encontrar tanto Deus na mais longínqua das finisterras.

quinta-feira, março 23, 2006


Andaluzia II

Casas brancas amontoadas na encosta. Ruas íngremes até à praia. Barcos de pesca deitados na areia. Gatos à sombra do muro de cal. Sangria e risos. Uma mulher de cabelo negro sozinha numa mesa, a olhar o mar. Aqui o Tempo falha muitas vezes, mas quase que não se nota. Imagino que alguém abre a janela para o céu entrar e que alguém faz amor enquanto chora. E imagino também que não estou aqui.


Andaluzia I

Uma manhã clara, o sol alto sobre o largo rio. Neste terraço penso na imensidão dos espaços, mas está demasiado bom tempo para isso. É mais fácil aceitar que o Alentejo não é aqui, paciência, e sair para a rua com um sorriso.
Lisboa, cidade de ninguém, ou de quem nela já não vive.



Hoje acordei de chuva. Deve ser da Primavera... Se fosse um empresário de sucesso, cancelaria todos os meus compromissos para hoje. Se fosse Paul Desmond teria ido à praia (ainda de inverno); mas sendo quem sou, arrumei o disco do Bill Evans, e fiquei à espera do sol.

quarta-feira, março 22, 2006


Esta cidade não é a preto e branco (para o Rui)

Menos a Sul mas não menos Azul... Não sei que nome tem, mas cheira a mar, é habitada por gaivotas e cada vez que a ela regresso, afasto o naufrágio de mim. Imagino-a na grande rota dos marginais e secretamente eu sei que ela é a capital do reino do Atlântico. Ela é um porto, com muitas palavras mas sem um único nome. A cidade das gaivotas tem casas de muitas cores, talvez para se revelar no nevoeiro dos viajantes, ou talvez porque vai bem com a maresia. Mas daqui também se parte: em cada curva o rio mostra as mil caras da cidade, e na estreiteza dos que não querem perder nem querem a perda, leva quem fôr pela mão até ao mar.


Spring is here
Spring is here, ou numa tradução muito ao pé da letra, a prima Vera está cá. (Silêncio). Ninguém sabe quem é a Vera, de quem é prima, nem as implicações da declaração. Mas, a julgar pelas condições atmosféricas, é certamente uma desilusão... como se de uma prima esperássemos tudo menos isto.. (Já não está ali quem falou).
Mas do Django77 sabe o que pode esperar: um sortido inigualável de surpresas de todas as cores e sabores, com reflexões obrigatórias sobre gatos e acordeons, papagaios de papel e até uma sugestiva introdução ao atlantismo. Entre outras coisas, tenha uma Primavera feliz!